NOVIDADES 23 de Fevereiro, 2018
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OC na Abertura da Colheita: preços e menor área preocupam

 A reportagem do OCorreio Digital está em Cachoeirinha para acompanhar a programação da 28ª Abertura da Colheita do Arroz. As atividades incluem debates pertinentes ao setor e troca de experiências. Uma comitiva de arrozeiros visita as estaçõees do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) na manhã desta sexta-feira (23). A unidade de Cachoeira do Sul auxilia na visitação.

A Indústria Horbach está presente na ára de silos e é um dos principais destaques para o público presente.

Conforme os debates que a reportagem acompanha, as questões sobre preço da safra e área de cultivos estão entre as preocupações dos produtores.

O comportamento do mercado mundial do arroz apresenta-se o oposto do mercado interno brasileiro. A expectativa é de uma valorização de alta nos preços internacionais para o decorrer de 2018. As afirmações foram feitas por Sérgio Roberto Gomes dos Santos Júnior, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no painel “Conjuntura e Cenários para a Safra 2017/2018” do Fórum Mercadológico.

Júnior citou dados do Departamento norte-americano de Agricultura (USDA) para justificar esta expectativa mundial, que dão conta de uma redução na produção mundial do cereal para a próxima safra e expansão dos estoques chineses. Com relação ao Mercosul, destacou que o Uruguai voltou a ser um importante país importador do mercado brasileiro, e já o Paraguai vem colocando muito arroz no Brasil, onde o Rio Grande do Sul tem previsão de queda de área e de produtividade.

Na questão da evolução dos preços, Júnior destacou que a queda observada no ano passado, atrelada principalmente com a redução da demanda interna e externa que resultou no aumento do estoque de passagem e pressão nos preços, hoje o valor da saca de arroz está, em média, a R$ 35,05 no Rio Grande do Sul, ou seja, abaixo do preço mínimo que é de R$ 36,01. “Com a redução na demanda e os estoques de passagem mais elevados, observa-se que a  produção não tem sido preponderante na formação dos preços. Hoje, a produção de 11,6 milhões de toneladas está abaixo da média histórica, ou seja, o mercado deveria estar até operando com um certo viés de alta, porém nota-se um forte viés de baixa. A previsão de preços esta safra 2017/2018 de R$ 42,00, será muito difícil de alcançar em 2018”, observou.

Para o diretor comercial do Irga, Tiago Sarmento Barata, que também participou do painel, o setor arrozeiro, importante atividade da economia do estado, passa por imensas dificuldades, e um dos grandes fatores é a redução dos preços que hoje chegam a patamares de três anos atrás. “Se ampliarmos o horizonte deste cenário, nós já tivemos, sem nenhuma correção na evolução dos preços no mercado, valores nesses patamares há nove anos, o que reflete a dificuldade vivida pelos produtores”, colocou.

Barata salientou que, além disso, sabe-se que os custos de produção têm crescido em uma velocidade muito significativa, causando a inviabilidade econômica da atividade produtiva. “Neste último ano tivemos uma ligeira redução dos custos em razão da diminuição do preço do arroz que é referência para vários indicadores que compõem estes custos, mas isto não trouxe alívio para o setor. Se fizermos uma análise da produtividade média obtida nas últimas safras e a produtividade média necessária para cobrir os custos ficam evidentes as preocupações atuais. Nos últimos 14 anos o produtor acumulou prejuízo de 124 sacos por hectare, isso considerando o custo de produção e produtividade média levantados pelo Irga e o preço médio anual levantado pelo Cepea”, ressaltou.

O diretor comercial do Irga finalizou a sua palestra dizendo que é preciso estar consciente de que a sustentabilidade econômica da atividade produtiva de arroz no estado depende de mudanças nas questões estruturais. “Precisamos corrigir questões ligadas à tributação, custo de produção, logística e consumo”, sinalizou.

Já para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), Elton Doeler, essa situação do arroz não é nova, nem simples e nenhum elo da cadeia está satisfeito. Afirmou que o setor como um todo precisa encontrar uma solução construída com inteligência e tentar precificar e sustentar o preço do arroz. “A grande questão é que o mercado é soberano e vive de expectativas. Precisamos um piso e o que dificulta é que o setor produtivo vem sofrendo uma concorrência muito forte. Precisamos ter um grande comprador que se chama governo”, salientou.

Fonte: O CORREIO